Olhando ao redor imagino quem ou o que eu sou. Os livros, os filmes e as músicas. Tudo que tenho faz parte de mim, mas nenhum objeto, físico ou abstrato, me define. Imagino como é possível me definir, uma simples palavra que me descreva. Penso nas coisas que penso e sinto e nas minhas ações, imaginando se alguma delas me define como pessoa.
Quem sou eu?
Montador de filmes. Editor de comerciais de TV. Escritor. Gaitista. Cinéfilo. Cineasta. Bluesman. Filho. Neto. Sobrinho. Amante. Amado. Leitor. Espectador. Amigo. Inimigo. Jogador.
Nem uma função nem sensação me tornam alguém. Eu sou a soma das minhas ações ou o produto dos meus sentimentos?
É estúpido pensar e ainda mais admitir/acreditar que se é alguém sozinho. Cada um de nós tem forma e identidade próprias. Mas de que servem elas se não há mais ninguém? O presente pertence ao indivíduo. Único.
Durante muito tempo esbarro sempre na mesma parede de pensamento. Quem sou eu? Possuo uma forte inclinação para o individualismo. Acredito que seria feliz pelo resto da minha vida morando em uma cabana no meio de algum lugar qualquer. Afastado do mundo. Escrevendo, logicamente. O mito do escritor solitário. Talvez seja verdade para alguns.
Antes de encerrar pergunto outra coisa: é possível mudar o jeito de pensar e, por conseqüência, de ser? Acho que chega de idealismo pra mim. A individualidade só me levou até certo ponto.
Continuando. Deito a cabeça na bancanda onde está o computador. Olho para o mundo verticalmente. Pilhas de livros à direita. Pilhas de filmes à esquerda. O que me fascina tanto nas histórias que eu leio, vejo e ouço? Sempre achei que fosse a falta de pessoas fascinantes nesse mundo. Certa vez me contaram, e de certo quem contou leu em algum lugar, que jamais na vida vamos encontrar pessoas tão interessantes quanto nos livros, nas histórias. Isso também pode ser verdade. A ficção é mais bela que a realidade, é mais profunda. Tudo costuma fazer sentido, se encaixar. Enquanto que na vida não. A vida é sólida e dessaturada. Cinza.
Após comprar não sei quantos DVDs semi-novos no feirão da locadora começei a assistí-los. E pela primeira vez me dei conta do que é que realmente me fascina. Não é apenas a narrativa, a trama. São os personagens que fazem parte dela. E por isso chego a minha conclusão.
Seja o que for que eu venha a ser, seja um cineasta, um músico, um escritor, um professor ou um figurante, a verdadeira alegria que tirarei da vida será tornar-me um personagem na história dos outros. Mesmo que eu não faça uma diferença enorme. Se ao menos eu significar alguma coisa, vou estar satisfeito.
Um personagem não vai a lugar nenhum sem uma história e muito menos sem outro personagem. Então este serei eu um personagem. Que pula de história em história. De vida em vida. Entrando em uma trama ou esbarrando em outro personagem, assim será a minha história.
Uma Copa a princípio nem tão interessante...
Há 15 anos

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