quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A resposta só se descobre quando a pergunta é esquecida.

sábado, 15 de agosto de 2009

Persona

Olhando ao redor imagino quem ou o que eu sou. Os livros, os filmes e as músicas. Tudo que tenho faz parte de mim, mas nenhum objeto, físico ou abstrato, me define. Imagino como é possível me definir, uma simples palavra que me descreva. Penso nas coisas que penso e sinto e nas minhas ações, imaginando se alguma delas me define como pessoa.

Quem sou eu?

Montador de filmes. Editor de comerciais de TV. Escritor. Gaitista. Cinéfilo. Cineasta. Bluesman. Filho. Neto. Sobrinho. Amante. Amado. Leitor. Espectador. Amigo. Inimigo. Jogador.

Nem uma função nem sensação me tornam alguém. Eu sou a soma das minhas ações ou o produto dos meus sentimentos?

É estúpido pensar e ainda mais admitir/acreditar que se é alguém sozinho. Cada um de nós tem forma e identidade próprias. Mas de que servem elas se não há mais ninguém? O presente pertence ao indivíduo. Único.

Durante muito tempo esbarro sempre na mesma parede de pensamento. Quem sou eu? Possuo uma forte inclinação para o individualismo. Acredito que seria feliz pelo resto da minha vida morando em uma cabana no meio de algum lugar qualquer. Afastado do mundo. Escrevendo, logicamente. O mito do escritor solitário. Talvez seja verdade para alguns.

Antes de encerrar pergunto outra coisa: é possível mudar o jeito de pensar e, por conseqüência, de ser? Acho que chega de idealismo pra mim. A individualidade só me levou até certo ponto.

Continuando. Deito a cabeça na bancanda onde está o computador. Olho para o mundo verticalmente. Pilhas de livros à direita. Pilhas de filmes à esquerda. O que me fascina tanto nas histórias que eu leio, vejo e ouço? Sempre achei que fosse a falta de pessoas fascinantes nesse mundo. Certa vez me contaram, e de certo quem contou leu em algum lugar, que jamais na vida vamos encontrar pessoas tão interessantes quanto nos livros, nas histórias. Isso também pode ser verdade. A ficção é mais bela que a realidade, é mais profunda. Tudo costuma fazer sentido, se encaixar. Enquanto que na vida não. A vida é sólida e dessaturada. Cinza.

Após comprar não sei quantos DVDs semi-novos no feirão da locadora começei a assistí-los. E pela primeira vez me dei conta do que é que realmente me fascina. Não é apenas a narrativa, a trama. São os personagens que fazem parte dela. E por isso chego a minha conclusão.

Seja o que for que eu venha a ser, seja um cineasta, um músico, um escritor, um professor ou um figurante, a verdadeira alegria que tirarei da vida será tornar-me um personagem na história dos outros. Mesmo que eu não faça uma diferença enorme. Se ao menos eu significar alguma coisa, vou estar satisfeito.

Um personagem não vai a lugar nenhum sem uma história e muito menos sem outro personagem. Então este serei eu um personagem. Que pula de história em história. De vida em vida. Entrando em uma trama ou esbarrando em outro personagem, assim será a minha história.

sábado, 25 de julho de 2009

Frio de Julho

A definição de coração segundo a Wikipedia:

"Nos seres humanos o percurso do sangue bombeado pelo coração através de todo o organismo é feito em aproximadamente 50 segundos em repouso.
Neste tempo o órgão bombeia sangue suficiente a uma pressão razoável, para percorrer todo o corpo nos sentidos de ida e volta, transportando assim, oxigênio e nutrientes necessários às células que sustentam as atividades orgânicas. O coração se localiza na caixa torácica, entre os pulmões. É um órgão muscular, pode se contrair e se relaxar."

A ele atribuímos o sentimento que muitos acreditam ser a única razão de existirmos e a única "coisa" que não pode ser explicada: o amor.

Atribuímos a alguém nosso amor. Sem essa pessoa nos sentimos sós, melancólicos. Não podemos continuar vivendo sem sua presença ao nosso lado. Nada parece tão bom sem ela. O mundo tem menos cores e as horas passam lentamente. Quando estamos juntos, o mundo não existe. Beijos e abraços e tantas outras coisas mais, nunca são o bastante. Precisamos dessa pessoa, precisamos dela para nos tornarmos completos. Até um ponto em que não se sabe onde um começa e o outro termina.

Mas afinal, por que amamos alguém? Todos sentimos essa necessidade de estar em perfeita paz e sintonia conosco e com o mundo. Amor, por mais estranho que pareça, é um sentimento simultaneamente egoísta e altruísta: daríamos nossa vida por essa pessoa, mas apenas pelo fato de que precisamos dela para nos sentirmos feliz.

Como já se perguntava o personagem de Jim Carrey, Joel Barish, no filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", eu também me pergunto: Por que me apaixono por toda mulher que vejo?

A necessidade de amar é tão grande que parece que qualquer uma resolveria. Só o fato de ter alguém ao lado, pra comer pipoca de mãos dadas, tapados sobre as cobertas vendo um filme de noite. Coisas tão simples e que não tem importância, mas que, ao perdê-las, percebemos como realmente eram valiosas. Todos os dias sinto falta de não ter mais alguém para amar. Dá um peso no coração ao ver um casal sorridente caminhando pela rua. Quem já amou sabe que eles tem sorte por ter um ao outro. Quem já amou sente aquela nostalgia e tristeza do que já não tem e também um leve ar de sabedoria, pois o casal não vê como sua união não é inquebrável e eterna.

Nos meses de inverno, em especial agora, quando está mais frio que nunca, sinto uma sombra sempre ao meu lado, esperando pela pessoa que a completa mas que nunca surge.

Na última sexta-feira, ao sair do trabalho, caminhei pela longa avenida que liga o norte da cidade ao sul. Um céu sem nuvens, azul azul, e o Sol iluminando a brisa fria. Respirei o ar gelado da rua ao sair do prédio, coloquei a cabeça o máximo que pude para dentro da manta, deixando só os olhos de fora sob a touca verde e começei a caminhar. Por mais frio e mais bonito que estivesse o dia, não me senti só. Cogitei apaixonar-me por mim mesmo, para variar. E percebi que só depois de se amar, é que é possível amar alguém.

Um homem completo.

Dentre as muitas pessoas que conheci, há um amigo em especial que conheço faz não tanto tempo assim. Suas opiniões são erráticas e mudam constantemente. Vejo nele a contradição da existência humana e, por que não?, da minha própria.

Se um dia lhe pergunto sobre determinado fato, expondo minha inclinação mais para uma das opções mesmo que apenas pelo modo de falar, ele logo critica minha estupidez e incoerência. Algum tempo depois, mostrando a deserção quanto a minha primeira escolha, ele explica como e porque não deveria ter mudado de idéia, às vezes irritando-se pelo fato de ter lhe dado ouvidos.

Se eu digo um, ele diz dois. Se então digo dois, ele diz um.

Minhas conversas com ele me mostram como funciona o descontentamento humano com sua própria condição, sempre querendo ser o que não é e ter o que não possui.

Me pergunto se nesse mundo há ou já houve alguém que foi completamente satisfeito, que jamais ficou inconformado com o que é e o que tem. Tal pessoa deve ser completamente desprovida de remorso ou ganância. Um homem que nada deseja é um homem completo. Feliz.

Ao aceitar a afirmação de que um homem completo e, por isso, feliz, não existe, é aceitar que nunca seremos completos e que nossa felicidade é breve e volúvel demais.

Um home completo é inconcebível. Tornar-se um seria o mesmo que conseguir dividir por zero. Mas por alguma razão, continuamos tentando.

terça-feira, 12 de maio de 2009

No presente momento me entretenho com diversas coisas: um playstation 2 que me proporciona marcar campeonatinhos de Winning Eleven 2009 (também conhecido como PES2009) com colegas da faculdade; preocupações referentes a formatura da turma agora em julho; The House of The Dead, do Dostoyevski; sete temporadas de Uma Familía de Pesada (Family Guy); escrita de dois roteiros pra quadrinhos, um pra longa metragem e outros projetos ainda a surgir na minha cabeça.

sábado, 9 de maio de 2009

Madrugada dos Porcos

O vírus Influenza A (H1N1), também conhecido como "gripe suína", sofreu uma mutação, tornando-se o H1Z1 (o Z significa "zumbi"). Após a morte, o vírus (de alguma forma) reanima o coração do infectado trazendo-o de volta à vida em um ataque de fúria como os zumbis de cinema (e.g. "Madrugada dos Mortos").

Pelo menos é este o boato circulando na internet. Duvida? Vai lá no Google catar as "notícias". Procure por "swine flu zombies" (tradução: gripe suína zumbis). Mas por favor NÃO leve a sério, é apenas uma GOZAÇÃO.

Mas vai dizer, não seria FODA se zumbis começassem a caminhar pelas ruas?? Pelo menos para os que sobrevivessem. Não acredito que qualquer pessoa que curte filmes de terror tenha dificuldade em se imaginar caminhando nas ruas desertas com uma espingarda a tiracolo e um revólver na cintura, colocando balas precisas entre os olhos dos monstros-canibais famintos.

MAS (sim, mais um "mas"!) por este país que eu chamo carinhosamente de Brasil (??) não ser os EUA, estamos fudidos, principalmente depois daquela lei do desarmamento.

PS: Acredito que os únicos com alguma vantagem em tal cenário cinematográfico-hipotético seriam os traficantes (em especial do Rio), tão bem armados que estão.